“Finanças? Não. Estratégia? Também não. Tecnologia? Muito menos. O trabalho em equipe continua sendo a
vantagem competitiva definitiva – precisamente por ser tão poderoso e ao mesmo tempo tão raro” – afirma o autor
Patrick Lencioni logo no início do livro “Os Desafios das Equipes”, da Editora Campus.

É raro encontrar dados que comprovem quando surgiu a ideia de reunir indivíduos em grupos, mas sabe-se que esta concepção existe há muito tempo, desde que se começou a pensar no processo do trabalho. Talvez mesmo tenha surgido quando nossos ancestrais pré-históricos, vivendo num ambiente bem mais hostil que o nosso e em condições bem mais precárias, tenham percebido que “juntos, somos mais fortes do que separados”.

Sociologicamente falando podemos definir grupo como um aglomerado de pessoas que realizam alguma atividade comum. Entretanto cada membro pode estar preocupado com seus afazeres e apenas reunido com outros por simples proximidade.

No mundo moderno, tem sido dado destaque especial a uma forma especial de grupo conhecida como equipe. Numa equipe, além das pessoas estarem reunidas e realizando uma atividade conjunta, elas apresentam um mesmo e único objetivo comum.

Os professores Carlos Haroldo Piancastelli, Horácio Pereira de Faria e Marília Rezende da Silveira, do Departamento de Enfermagem Aplicada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, fizeram um artigo no qual defendem a ideia de que as equipes advêm:

  • Da necessidade histórica do homem de somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não seriam alcançados ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada;
  • Da imposição que o desenvolvimento e a complexidade do mundo moderno têm imposto ao processo de produção, gerando relações de dependência ou complementaridade de conhecimentos e habilidades para o alcance dos objetivos.

Eles afirmam que “O trabalho em equipe, portanto, pode ser entendido como uma estratégia, concebida pelo homem, para melhorar a efetividade do trabalho e elevar o grau de satisfação de todos os envolvidos”.

Fazer com que as pessoas da organização caminhem na mesma direção requer esforço e dedicação de todos. É necessário estratégia, objetivos definidos, estimulo a alta performance, comunicação eficaz, feedbacks constantes, reconhecimento ao bom desempenho, compromisso e liderança.

Para Patrick Lencioni, um dos maiores especialistas em equipes da atualidade, para serem eficazes na construção de equipes de alta performance, as pessoas participantes desses agrupamentos precisam, juntas, enfrentar e superar 5 desafios:

DESAFIO 1: CONFIANÇA

Sentir-se à vontade para se mostrar vulnerável diante dos outros. Significa desenvolver a certeza de que as intenções dos colegas são boas e de que não há necessidade de se proteger ou ficar “cheio de dedos” dentro da equipe.

MEMBROS DAS EQUIPES QUE CULTIVAM A CONFIANÇA

  • Admitem seus pontos fracos e seus erros.
  • Pedem ajuda.  Aceitam questionamentos e contribuições em suas áreas de responsabilidade.
  • Dão uns aos outros o benefício da dúvida, antes de uma conclusão negativa.
  • Correm riscos na hora de oferecer feedback e ajuda.
  • Apreciam e tiram proveito das habilidades e da experiência uns dos outros.
  • Concentram seu tempo e sua energia em questões importantes.
  • Pedem e aceitam desculpas sem hesitação.
  • Anseiam pelas reuniões e por outras oportunidades de trabalhar em grupo.

DESAFIO 2: CONFLITO

É importante distinguir as divergências produtivas das brigas destrutivas e políticas interpessoais. O conflito se limita a conceitos e ideias. Evitam-se ataques maldosos e focados na personalidade.

EQUIPES QUE RECONHECEM E LIDAM COM SEUS CONFLITOS

  • Têm reuniões vivas e interessantes.
  • Extraem e exploram as ideias de todos os membros da equipe.
  • Resolvem os problemas reais rapidamente.
  • Minimizam a políticagem.
  • Colocam os pontos críticos na mesa, para serem discutidos.

DESAFIO 3: COMPROMISSO

As pessoas deverão ser capazes de:

  • Gerar clareza com relação à direção e às prioridades.
  • Alinhar a equipe inteira em torno dos objetivos comuns.
  • Desenvolver a capacidade de aprender com os erros.
  • Aproveitar as oportunidades antes dos concorrentes.
  • Seguir em frente sem hesitar.
  • Mudar de direção sem hesitação ou sentir culpa.

DESAFIO 4: COMPARTILHAR RESPONSABILIDADES

Uma equipe consegue que todos se responsabilizem através de:

  • Divulgação das metas e dos padrões.
  • Estimulo ao cumprimento dos mesmos.
  • Revisões simples e regulares de progresso.
  • Recompensas para a performance superior da equipe.
  • Comprometimento e ações individuais.
  • Pouca burocracia no gerenciamento do desempenho e nas ações corretivas.

DESAFIO 5: CONCENTRAR-SE EM RESULTADOS

Manter as pessoas orientadas para as realizações e suas consequências:

  • Minimizar o comportamento individualista e valorizar a colaboração e união.
  • Viver intensamente o sucesso (celebrar) e sofrer com o fracasso (aprender com ele).
  • Reconhecer e valorizar os indivíduos que sacrificam suas próprias metas e interesses pelo bem da equipe.
  • Manter o foco.

Fácil ou difícil? Possível ou impossível?

De modo geral, como consultor empresarial e como coach de equipes e profissionais, em minhas andanças pelas empresas, eu tenho percebido que é difícil sim, requer esforço diário por parte das pessoas, mas sempre é possível! Depende de cada um de nós, de nossa atitude, do quanto estamos engajados e comprometidos, e do quanto queremos nos sentir satisfeitos em nossos trabalhos e com os outros.

Reinaldo Paiva.

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